Sucesso do socialismo

É preciso que se dê por uma espécie de vitória já adquirida da verdade, à qual basta mostrar-se para vencer, sem necessidade de atacar nem de se defender.

 

Um dos exemplos mais impressionantes do pensamento manifestado por Louis Lavelle é a imagem abaixo. A parte iluminada é a Coréia do Sul. Ao norte, a outra Coréia. Não precisam argumentos, nem palavras. A verdade mostra-se por si só.

Coréia do Norte escuridão

Yoani Sanchez presta um favor ao Brasil

Não sei o que pensa a cubana Yoani Sanchez, que carrega o horrível rótulo de dissidente, sobre o mundo. Sei apenas que ela tem um blog, em Cuba, e tenta vencer a barreira contra a liberdade de expressão no país. Nunca a li e nem me interesso particularmente pelo que escreve. O mais relevante é o favor involuntário que está fazendo ao Brasil ao revelar o tamanho da truculência e intolerância dos nossos progressistas, que por sinal não é muito diferente do resto do mundo. Lembro que uma vez Bento XVI foi impedido por manifestantes de falar em uma universidade italiana.

No episódio de sua visita vimos cenas como a submissão do Itamaraty aos irmãos Castro, funcionários públicos participando de rede de difamação da visitante, movimentos sociais e nossos estudantes profissionais, todos ligados ao PC do B, PT e bandos similares, atuando com violência para impedi-la de falar. Hoje chegaram a impedir a exibição do filme que veio para participar do lançamento.

Nada disso é novidade. Pouco tempo atrás, Demétrio Magnoli foi impedido de fazer uma palestra em Brasília, na Livraria Cultura, por um bando destes marginais que se fantasiam no dia a dia de estudantes universitários ou membros de movimentos sociais. 

Eles não aceitam o contraditório, não toleram os que pensam diferente. Revelam uma face que existem em quase todos os progressistas, alguns mais explícitos e outros nem tanto. Tem progressista descolado, que usa seu ipad para falar mal do capitalismo, tira fotos com câmeras nikon de última geração e não se separa do seu iphone, que age como se não tivesse nada a ver com estes acontecimentos. Hipócritas. Posso vê-los sorrindo no conforto dos seu lares, felizes por terem idiotas para fazer o trabalho sujo por eles. São os mesmos que colocam posts no fb dizendo que alguém tinha que meter uma bala no Bush quando era presidente ou silenciar a Ann Coulter. Que o programa do Glenn Beck tinha que ser extinto (e foi). Que o Reinaldo Azevedo tinha que ser chutado da Veja e assim por diante. São covardes, piores do que os idiotas que vestem suas camisas do Che (meu Deus!) e vão protestar contra Yoani no aeroporto.

Este é o Brasil e o pensamento que Yoani está mostrando. Quem votou no Lula e na Dilma alimentaram essa corja. Vocês são responsáveis!

Deveriam se envergonhar.

O fim do século XX

Dizia Hegel que os anos de rupturas dos séculos não eram na passagem de um para o outro e sim cerca de 15 anos depois. Queria dizer que os grandes acontecimentos da história moderna que indicavam mudança seriam 1415 (Batalha de Agincourt), 1520 (encontro de Francisco I, Carlos V e Henrique VIII), o meio do século XVII com o assassinato de Henrique IV e a ascensão de Richelieu, 1815 (Batalha de Waterloo) e 1914 (inicio da I Guerra Mundial). É como se o relógio dos séculos estivesse 15 anos atrasado.

A segunda generalização feita por Hegel é que na história das idéias é importante perguntar de onde elas vieram, o que são e o que significam. Assim, o os períodos podem ser divididos desta forma:

  • século XVI: 1515-1615: idéias italianas (o nascimento da real-politics)
  • século XVII: 1615-1715: idéias francesas (iluminismo)
  • século XVIII: 1715-1815: idéias britânicas (revolução industrial)
  • século XIX: 1815-1915: idéias germânicas (vontade de poder)

Se Hegel estiver certo, estamos nos aproximando do final do século XX apenas agora, perto de 2015. E o que foi o século XX? Quem dominou? Os Estados Unidos com a democracia moderna ou a revolução tecnológica? Ou os soviéticos com o comunismo? 

Em uma primeira aproximação, penso que as idéias que vigoraram no mundo a partir de 1915, ou 1917, foram do comunismo. Mesmo que vários países não tenham se tornado ditaduras comunistas, foram de alguma forma afetados pelas idéias de Lenin e sua turma. Nasceu a social-democracia, o socialismo fabiano, as guerrilhas, o narco-tráfico organizado como movimento social, os sem-terra, o pensamento de governo mundial, o keynesianismo, a contra-cultura, o partido democrata foi cada vez mais para a esquerda e por aí vai. 

Sim, a União Soviética deixou de existir mas suas idéias continuam fortes a ponto de podermos dizer que a economia dos países ocidentais se voltaram mais para o fabianismo (estado dirigindo mas não tendo posse dos agentes econômicos) do que para o capitalismo clássico. No campo político, todos os países tem o governo mais forte hoje do que no início do século XX, mesmo o Estados unidos. Cuba, Coréia do Norte, Venezuela são símbolos decadentes de um tipo de comunismo que morreu com a União Soviética. Resta a China com um comunismo mais híbrido.

Estamos nos aproximando da época, em torno de 2015, que esse período deveria terminar. O que nos indica que Hegel pode estar certo?

  • A morte eminente de Hugo Chávez, Fidel Castro e o início de uma transição na Coréia do Norte. Não se sabem para onde vai estes países-prisão, mas com certeza sofrerão mudanças.
  • A crise econômica global causada pelo endividamento absurdo dos governo e suas sociedades. Paul Krugman pode gritar o quanto quiser mas seu Keneysianismo não tem como dar certo e nunca deu. Não há como combater uma crise de dívida fazendo mais dívida! A crise mundial é uma consequência do tamanho monstruoso dos estados e não da ganância dos mercados.
  • O surgimento, ainda incipiente mas que vai crescer, da consciência que a população mundial vai entrar em declínio e que as consequências para a sociedade são simplesmente desastrosas. A própria economia de consumo irá para o brejo.
  • A insuficiência de uma cultura que rejeita a transcendência e tenta praticar algo inspirado no epicurismo, no Carpe Diem, na ilusão da liberdade absoluta. A nova geração está dando sinais que não quer seguir este caminho, que deseja um retorno a fundamentos mais sólidos para uma vida em equilíbrio.

Claro que existem fatores como a China, que continua crescendo e levando a bandeira do comunismo, ainda que ligado ao mercado. Entretanto, o terceiro fator, o declínio populacional, que causará um forte envelhecimento, vai derrubar a China que não terá como suportar a pressão de uma população idosa gigantesca. O mesmo vai acontecer com as nações islâmicas que envelhecerão sem terem enriquecido. E sem tecnologia.

Olhando o noticiário parece que o predomínio dos governos sobre os cidadãos é irreversível e cada vez mais intenso. Talvez estejamos assistindo as últimas tentativas  de preservar uma época que está começando a acabar, a dos grandes governos.

Mais do que o comunismo, talvez seja esta a criação do século XX, dos governos tipo Big Brother, que tudo e a todos controla. Ou talvez este tipo de governo seja exatamente a consequência das idéias comunistas. Não sei, mas acredito que os governos estão chegando ou chegaram no ápice do poder que podem acumular. E se chegaram ao ápice, quer dizer que o equilíbrio é instável, que uma hora vão começar a cair.

Aguardemos para ver se Hegel tinha razão.

 

Uma interessante descrição

Uma das metas de leitura que me coloquei para este 2012 era ler um livro sobre um autor de cujas idéias não concordo. Vamos de Karl Marx então! Escolhi O 18 Brumário de Luís Bonaparte, aquele que ele tornou famosa a frase de Engels em que os grandes acontecimentos da história acontece duas vezes  e acrescentou “a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”.

O último capítulo é o mais interessante pois descreve o regime implantado pelo sobrinho de Napoleão. Prestem atenção ao que Marx escreve, voltarei ao tema depois.

É preciso dar trabalho ao povo. Obras púbicas são iniciadas. Mas as obras públicas aumentam os encargos do povo no que diz respeito a impostos.

 

Diante da burguesia Bonaparte se considera ao mesmo tempo representante dos camponeses e do povo em geral, que deseja tornar as classes mais baixas do povo felizes dentro da estrutura da sociedade burguesa.

 

A indústria e o comércio, e, portanto, os negócios da classe média, deverão prosperar em estilo de estufa sob o governo forte.

 

Os camponeses têm que ser auxiliados. Bancos hipotecários que facilitam o seu endividamento e aceleram a concentração da propriedade.

 

Bonaparte gostaria de aparecer como o benfeitor patriarcal de todas as classes. Mas não pode dar a uma classe sem tirar de outra.

 

Todo posto do exército ou na máquina do Estado converte-se em meio de suborno.

e a melhor de todas

Um bando de patifes abre caminho para si na corte, nos ministérios, nos altos postos do governo e do exército, uma malta cujos melhores elementos, é preciso que se diga, ninguém sabe de onde vieram, uma bohéme barulhenta, desmoralizada e rapace, que se enfia nas túnicas guarnecidas de alamares com a mesma dignidade grotesca dos altos dignatários de Soulouque.

Uma refutação ao socialismo, escrita no século IV!!!

Leiam e reflitam, voltarei ao tema depois.

“Deveríamos buscar os reis e príncipes para consertarem as desigualdades entre os ricos e os pobres? Deveríamos exigir que soldados viessem e tomassem o ouro do rico para distribuir entre os seus próximos destituídos? Deveríamos implorar ao imperador para que crie um imposto para os ricos, tão grande que os reduza ao nível dos pobres, e então compartilhe o que foi coletado por este imposto entre todos? A igualdade imposta pela força não produziria nada, e faria muito mal. Aqueles que possuem ao mesmo tempo corações cruéis e mentes astutas logo encontrariam formas de enriquecerem novamente.

Pior ainda, o rico cujo ouro foi tomado sentiria-se amargurado e ressentido, enquanto o pobre que recebe o ouro das mãos dos soldados não sentiria gratidão, porque não teria sido a generosidade que originou o presente. Longe de trazer qualquer benefício moral para a sociedade, iria, isso sim, trazer um grande mal moral. A justiça material não pode ser obtida à base de força. Não haveria mudança de coração. O único modo de alcançar a verdadeira justiça é mudar o coração das pessoas primeiro – e então elas irão alegremente compartilhar sua riqueza.”

São João Crisóstemo

Uma pergunta sobre a ditadura militar

Estava refletindo ontem sobre a chamada ditadura militar. Em muitos aspectos ela foi muito estranha, tão estranha que se deveria seriamente perguntar se o termo ditadura está correto para o regime que vigorou no Brasil de 1964 a 1985.

Se a ditadura era tão ruim assim, por que nunca foi preciso fechar as fronteiras do país? Por que os militares nunca impediram que os brasileiros descontentes fossem embora? Ao contrário, criaram a expressão Brasil, ame-o ou deixe-o.

Os dissidentes em Cuba  terminam no paredón ou morrem tentando fugir da ilha, junto com milhares de cubanos. Preferem enfrentar os tubarões ao tirano Fidel.

Os nossos dissidentes foram exilados pelo regime na Europa. E tentaram desesperadamente voltar! Não é curioso?

O homem comum jamais pensou em se mandar, pelo contrário, tocava sua vida normalmente. Os revoltados, trataram de protestar mas na verdade estavam cuidando de sua poupança futura. Alguns pegaram em armas, praticaram atos terroristas. Hoje recebem indenizações do estado e muitos ainda ocupam cargos públicos _ muitos deles no alto, e coloca alto nisso __ escalão da burocracia brasileira.

Uma vez perguntei a um senhor que viveu na época como era de fato a repressão do regime.

A resposta foi lacônica:

_ Não sei. Estava ocupado trabalhando.

A metamorfose da ideologia

Existem diversas interpretações para “A Metamorfose” de Kafka. Muitas partem da constatação que o estranho episódio de Gregory Samsa, que inicia o livro recém transformado em um inseto, é uma alegoria que pode significar muita coisa. Pode ser uma doença terminal de um membro da família, um crime cometido que transforme esse membro em criminoso, uma mudança brusca que mude sua condição; enfim, não há limites para a imaginação.

Lendo as páginas desta obra Kafka escreveu aos 29 anos, algo me soou estranhamente familiar mas não soube precisar exatamente o que. Refletindo, cheguei a conclusão que essa alegoria estaria baseado em alguns pontos:

  1. Algum membro da família sofre uma brusca transformação;
  2. essa transformação o deixa irreconhecível;
  3. de provedor da família, se torna um peso que deve ser sustentado por todos;
  4. a família nutre alguma esperança que volte a ser o mesmo de antes;
  5. a família reduz o contato ao mínimo e não quer expô-lo na sociedade;
  6. esse membro que sofreu a transformação não questiona seu estado, acha tudo muito natural;
  7. finalmente, convencido que esse estado é irreversível, desejam sua partida por não reconhecer mais na criatura o membro perdido.

Baseado nessas idéias, procurei algo que se encaixasse nesse esquema mental. Que transformação alguém poderia sofrer para gerar este estado de perturbação no seio de uma família? Uma das respostas possíveis me ocorreu de imediato: a ideologia. Seu principal exemplo, o marxismo, mas serve o nazismo tamanho a semelhança entre eles.

Imaginem uma pessoa da família que de uma hora para outra se converte _ e uso esse termo sem metáfora _ ao credo marxista. Passa a repudiar todos os valores que foram cultuados em seu lar, em sua sociedade. Fala coisas estranhas sobre teoria do mais valia, luta de classes, dialética materialista, teoria do valor-trabalho. Como Gregory, o que lhe parece claro é para sua família incompreensível. Suas roupas, seu modo de vestir, barba, talvez até a falta de banho, tudo contribui para que não o reconheçam mais. Onde está aquele filho, aquele irmão?

Passa a gritar contra a exploração do homem pelo homem, muitas vezes abandona o emprego burguês e se recusa a fazer parte da sociedade. A família tem que sustentá-lo enquanto aguarda que retome o juízo. Tentam não contrariá-lo, mas não desejam que apareça na sociedade, querem escondê-lo. Esse membro, por seu lado, não vê nada de errado com sua transformação. No fundo, como Gregory, continua a mesma pessoa, pelo menos acredita assim. Passa a ter gostos diferentes, se comportar de outra maneira, mas nada que não seja adequado à sua nova condição.

A família sofre, quer vê-lo de volta. Depois de um tempo, se acomodam, começam a perder a esperança. Conversam em segredo, Gregory só consegue ouvir partes sussurradas e breves. Por fim, uma crise, um confronto. Passam a ter medo dele. É nesse momento que alguém da família, como a Greta do livro, levanta o ponto que todos temem em reconhecer: nosso erro foi achar que essa criatura é nosso Gregory. Não é. Gregory já morreu e quanto mais depressa nos convencermos disso, mais rápido poderemos prosseguir com nossas vidas. Precisamos nos livrar dele.

Essa narrativa aconteceu com muitas famílias ao redor do mundo, e pode se encaixar com muitas correntes ideológicas: marxismo, nazismo, totalitarismos de toda espécie, até mesmo o ateísmo militante. Quando um membro da família abraça uma dessas causas que limitam a capacidade do pensamento humano, e por consequência, a própria condição humana, a metamorfose está feita. Voegelin alertava que um dos problemas da ideologia é que seu mundo se torna extremamente limitado e tudo na realidade que não se encaixa no novo credo é excluído do mundo, como se não existisse.

A vantagem da vida real sobre a alegoria de Kafka é que alguns metamorfosiados acabam acordando e retomando o sentido de realidade. Outros levam seus delírios para o túmulo, passando o resto de suas vidas como insetos, rejeitando parte importante do que nos torna humanos.

Não sei se Kafka quiz dizer algo remotamente parecido com isso, mas que para mim faz todo o sentido, hora se faz!

De todos os fragelos da humanidade, naturais ou não, a ideologia socialista foi a pior de todas. Basta contar os cadáveres. E mesmo com tudo isso, sua força é tão poderosa, que há ainda uma multidão que consciente ou não a defende. Incapazes de romper a metamorfose que sofreram.